A nova fase do Homem sem medo

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Já mencionei algumas vezes que tenho andado afastado dos quadrinhos de heróis. Tirando uma ou outra tentativa (frustrada) de dar chance às histórias dos Vingadores, só tenho comprado edições especiais e encadernados de material clássico. Durante esse tempo, li/ouvi vários elogios à fase pela qual o Demolidor vinha passando. Mais ainda sobre a aclamada nova fase que chegou a ganhar um Eisner (o Oscar dos quadrinhos) de melhor série e melhor escritor. Como a Panini começou a lançar essa fase por aqui em um encadernado, resolvi dar uma chance e vi que era uma história simples sem nada de mais. E por isso mesmo, é tão bom!!!

Ao meu ver um dos maiores problemas das histórias atuais é o fato de tentarem dar passos maiores que a perna. Eu explico: É tentar alçar ao patamar de épico histórias bem mequetrefes. Eis aí as últimas mega sagas como Essência do medo e Vingadores Vs X-Men que não me deixam mentir. Roteiristas fracos que são endeusados pelos leitores quando tudo que sabem fazer é, ou enrolar histórias fazendo durar muito mais edições do que deveriam ou tornar tudo um carnaval criando polêmicas a troco de nada. Quer dizer, a troco do aumento de vendas já que sempre irão existir público por mais lixo que produzam.

Essa nova fase do Homem sem medo foge exatamente disso apostando na simplicidade pra se contar uma boa história.

Após os eventos recentes , Matt Murdock tenta retomar sua vida “normal”. Mas isso é meio difícil quando você teve sua identidade revelada ao Mundo. Mesmo que tenha dado um jeito de desmentir, muitos ainda estão convencidos que Matt Murdock é o Demolidor e isso acaba trazendo problemas principalmente para sua vida profissional.

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É interessante ver como o Matt vai fazendo o possível para continuar exercendo a advocacia (Aliás, genial a saída que ele encontrou pra continuar ajudando os clientes) e ao mesmo tempo se desdobra pra sair por aí pegando bandido.

Aliás aqui cabe um elogio: Eu sou fã dos vilões clássicos. Por mais que hoje em dia, escritores medíocres os usem como alívio cômicos e eles sejam tratados como “buchas” pelos leitores, pra mim ninguém substitui um bom adversário clássico. E aqui nessa edição há a aparição de vários deles.  Não irei dizer quais pra manter a surpresa. O roteiro do Mark Waid  como já mencionado, não tenta inventar. Ele apenas se concentra em contar a história, e com isso torna a trama fluida e gostosa de se ler.

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Apesar do roteiro do  Waid  ser muito bom , ele não seria nada sem um bom desenho e a dupla Paolo Rivera e Marcos Martin estão à altura da qualidade da história. Vou novamente bater na tecla da “simplicidade”:  Os desenhos são simples. Mas  não confundam “simplismo” com “preguiça”. Apesar do traço limpo, há um nível de detalhamento que agrada aos olhos. As cenas de ação quase chegam a ganhar vida. E as poses do Demolidor fariam o Homem-Aranha ( Um antigo personagem que já não existe mais. Não confundir com uma porcaria que atualmente usa o mesmo nome) morrer de inveja.

Falando agora da edição nacional eu gostaria que a Panini lançasse mais coisa no formato de encadernado assim. Devo admitir que não dei essa chance ao Demolidor há mais tempo porque não me senti animado a comprar a Universo Marvel. Pagar pra ler uma única história e ter de levar coisas como o Quarteto Fantástico por exemplo que está péssimo não anima a ninguém. Lançando assim pode-se escolher o que quer comprar. É bom ver que a editora pretende investir mais no formato visto que além de Defensores que ela já está lançando( O Vol. 2 chega já em Julho) vem também por aí um encadernado com a nova fase do Justiceiro. Eu apoio essa iniciativa.

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Se você, assim como eu, estava afastado das histórias do “vermelhinho” a algum tempo,  esse é o momento certo pra voltar a ler. Uma boa história de super-herói, sem firulas é algo raro hoje em dia. Totalmente recomendado.

 

Demolidor tem 150 páginas e custa R$18,90

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