Biblioteca Don Rosa: O Filho Do Sol.

Com as boas vendas da Coleção Definitiva Carl Barks, a Editora Abril trouxe para o Brasil a Biblioteca Don Rosa que compila, em ordem cronológica a Obra deste Roteirista.

Os quadrinhos Disney nunca foram conhecidos por terem uma cronologia. As histórias em sua arrebatadora maioria encerram-se nelas mesmo e não é preciso ler um Zilhão de outras revistas pra entender o que você acabou de ler. Alguns autores até fazem citações de vez em nunca de fatos de histórias passadas mas, no geral, isso é exceção. Barks por exemplo volta e meia citava alguns fatos ocorridos no passado dos personagens mas eles eram de “histórias nunca contadas” como por exemplo o Tio Patinhas falando “Isso me lembra quando eu vendia refrigeradores pros Esquimós“.

Então veio um quadrinista chamado Keno Don Rosa que como fã assumido do Barks, sabia de cor todas essas citações e quando começou a, ele mesmo produzir quadrinhos, fez questão de se basear  inteiramente na “Cronologia Barks”. Salvo raríssimas exceções ele ignora em suas histórias qualquer fato ou personagens que não tenham sido criados ou, pelo menos, desenvolvidos pelo Barks. (Uma dessas exceções está  presente nesse volume na História “O último trenó para Dawson“).

O fanatismo Esmero de Rosa é tanto que ele chegou a apagar alguns Metralhas de quadrinhos da história “Fortuna Deslizante” porque em  suas pesquisas descobriu que o Barks nunca havia desenhado mais que Sete dos Beagles em um mesmo quadrinho.

Mas depois dessa rápida contextualizada, vamos falar da edição especificamente (Veja lista das histórias aqui).

Devo admitir que gosto bastante das histórias longas do Don Rosa apesar de achar meio “estranho” as expressões faciais dos Patos dele. Mas o que me chama a atenção principalmente é que as histórias se assemelham aos filmes de ação que gosto tanto onde está sempre acontecendo algo e mal há tempo pra se respirar. E já na sua primeira história,”O Filho do Sol” tem tudo isso. Além, claro, de ter toda aquela química entre os personagens que nós, como leitores, estamos acostumados. São quase Trinta páginas de tudo que uma boa história de aventura precisa. É um excelente cartão de visitas para o que iríamos ler em grande parte da carreira do artista.

Outra característica  do Rosa é que pelo fato de ser um profundo conhecedor da Obra do Barks , ele espalha inúmeras referências às histórias criadas pelo Barks em suas histórias. E esse é o caso da já citada brevemente “O último trenó para Dawson“. Apesar da ideia central ter sido tirada de uma história de Carl Fallberg e Tony Strobl, todo o resto é calcado diretamente no “Espírito Barks”. E que história! Essa é daquelas pra deixar qualquer fã brigando pra não suar pelos olhos principalmente por se focar no passado do Velho Pão-Duro. A propósito; acho que essa história funciona ainda melhor se você já leu uma certa Saga do Tio Patinhas escrita, não por coincidência, pelo Don Rosa anos depois. Ela tem muito do clima e até referências que serão reutilizadas no Período da vida do Patinhas focado no Klondike retratado na Saga.

Ao contrário do Barks que conseguia trabalhar com maestria tanto em histórias longas quanto curtas(e até nas Gags de uma página), Don Rosa derrapa no quesito histórias curtas. Ainda mais no início de carreira, como são os casos das presentes nesse volume. Elas são em sua maioria de meia boca pra baixo. Vou destacar apenas duas:

Surra metafórica” por eu adorar histórias onde os trigêmeos tentam passar a perna no Donald(Ou o contrário) e essa tem todo o clima desse tipo de situação. E é interessante ver alguém na família Pato tendo uma maré de azar sem ser o Donald(Não que ele passe “invicto” pela história)”

O “Desmanche do Carango” pra mim é especial pois adoro o 313, e aqui temos, vamos dizer assim, a “origem” do Carrinho com o Donald contando que o montou com partes de outros carros. E não por coincidência foi um Print do Donald no 313 que peguei autografado do Don Rosa quando o encontrei na CCXP de 2014.

O Volume 1 da Biblioteca Don Rosa tem 210 páginas sendo destas, 150 de quadrinhos. As outras 60? Elas estão lotadas de textos sobre as histórias. Mas antes que pensem que isso é ruim, devo dizer que é muito pelo contrário: Ao contrário dos textos da coleção do Barks que são escritos por pesquisadores e estudiosos da Obra do Mestre, os daqui são todos escritos pelo próprio Don Rosa.  O Quadrinista detalha as histórias uma por uma. Conta curiosidades (A que citei ali em cima sobre os Metralhas foi contada em um dos textos) sobre a produção delas, detalha todas as referências ao Barks que ele incluiu na respectiva história, além de revelar onde está escondida a famosa dedicatória D.U.C.K (Dedicated to Uncle Carl from Keno) que ele coloca em quase toda história. Além de também escrever o prefácio contando o início de sua carreira e a sessão “A Saga de Don Rosa” onde ele detalha sua vida desde antes de seu nascimento. Simplesmente imperdível.

Os textos são muito interessante principalmente pra quem gosta de ir além da leitura da história.

Se eu tivesse de criticar algo nessa edição seria a periodicidade Mensal que a Editora Abril resolveu lançar a coleção. É muita coisa saindo pro nosso bolso aguentar. Ainda mais levando em conta que o preço normal de cada edição é de 80 Patacas. Dava pra ser pelo menos Bimestral. A solução é esperar e torcer por descontos em lojas online tipo a Amazon. Mas a edição em si, está mais do que recomendada.

 

Antes de finalizar, vou fazer um auto jabá aqui e deixar ali no fim do post o video que fiz pro meu Canal Calisota onde fiz o Unbox da edição assim que recebi. E logo trago o review de “A Noite das Bruxas’, novo volume da Coleção Carl Barks.