Pato Donald: A Noite Das Bruxas

Como prometido no post da Biblioteca Don Rosa, é hora de passar do Pupilo para o Mestre com o mais novo volume da Coleção Carl Barks.

Nesse Samba do Pato Doido que é a ordem cronológica de publicação dessa coleção, “A noite das Bruxas” é o seu 13º volume  com histórias originalmente publicadas entre Outubro de 1952 e Novembro de 1953. Como podem ver no Índice clicando aqui , à exceção da história que dá nome ao volume(E duas de página única), todas as outras são as de Dez páginas da revista Walt Disney’s Comics and Stories. Aliás, entre elas há pelo menos 4 que estão entre minhas favoritas da Obra Barksiana. Irei destacá-las já já mas antes, iniciemos pela história “principal”

Lá no longínquo ano de 2012, eu aproveitei um Halloween para fazer um post só sobre essa história então cliquem aqui para ler o post pois não irei me estender muito. Até porque sendo bem sincero, não sou muito fã dela. Na verdade não curto histórias de Bruxas e afins.

Antes de passar pras próximas história só avisar que, já que o vídeo com o desenho desapareceu do post antigo sobre A  noite das Bruxas, deixarei o episódio novamente ao fim desse post.

Agora indo pra primeira das minhas histórias preferidas, temos “A Arma Hipnótica“. Ela em si não tem nada de muito curioso ou diferente. Mas por algum motivo sempre gostei dela desde a primeira vez que a li em alguma das publicações anteriores. Acho a trama com um ritmo bem divertido apesar do final ser meio “estranho” já que é meio difícil imaginar o Tio Patinhas dando tanto dinheiro assim pra alguém.

Vale citar que “A arma hipnótica” junta alguns temas recorrentes do Homem dos Patos como hipnotismo ou o Donald encrencando com algum brinquedo dos sobrinhos. Até mesmo o Donald cobrador já foi visto em uma ou outra história.

Ao longo dos vários anos à frente dos quadrinhos Disney, Barks explorou diversas facetas do Donald. Muitas vezes o Pato era vítima de sua própria ganância. Outras, suas ações ao longo da história o fazem se dar mal no final. Mas em não raras as vezes, o Pato só queria ganhar uma graninha honesta mas o próprio Universo conspira pra ele meter os pés pelas mãos. É o caso de “Um Milhão de Omeletes” onde o Pato só queria ganhar a vida criando galinhas mas seu grande azar ajudado pelo seu jeito trapalhão, põe o negócio da Família Pato (literalmente) abaixo. Talvez a cena dos Ovos inundando a Cidade de Vale Feliz não seja tão engraçada após a tragédia de Mariana, mas toda a história é muito divertida. Menção honrosa pra arte do Barks que nessa época se encontrava em seu auge e consegue desenhas vários quadrinhos entupidos de galinhas, Ovos, Penas…

 

Em textos anteriores comentei que entre minhas histórias preferidas do barks, um “gênero” se destaca: Aquele onde o Donald é especialista em alguma função, colhe os louros até o inevitável fracasso. Dentro desse grupo a minha preferida, sem sombra de nuvens…digo, de dúvidas é “E as chuvas chegaram“. Acho toda a construção da história, a habilidade surreal do Pato como “Semeador de chuvas”, ele se dando mal devido a suas próprias ações torna essa história praticamente impecável. Literalmente perdi as contas de quantas vezes a li.

 

Era uma vez um pequeno leitor que comprou o Disney Especial “Os Sortudos” onde, já na primeira história o Donald se via enganado convencido sobre as maravilhas do Caracoroísmo, a “Ciência” de deixar uma moeda tomar as decisões por você. Provavelmente inspirado pelo Duas-Caras, Clássico Vilão do Batman que havia estreado 10 anos antes da publicação de “Cara ou Coroa“. Assim como comentei em “A Arma Hipnótica“, a história não tem algo que a faça se destacar. É até bem simples e linear (Diferente das Estradas pelas quais o Caracoroísmo obriga o Donald a passar.) Mas assim como a história anterior, essa aqui me conquistou logo de cara. E lembro como fiquei feliz quando descobri o Barks e que ele era o autor da história. “Só podia ser”, pensei. Ah. “Cara ou Coroa” traz a estréia das Sobrinhas da margarida; Lalá, Lelé e Lili.

Como curiosidade, “Cara ou Coroa” foi nominalmente citada no Quinto Episódio da Quinta Temporada de House of Cards quando Frank Underwood, interpretado pelo Kevin Spacey comenta sobre a “arte” de decidir as coisas na base do cara ou Coroa. Deixarei o trecho do episódio também no final desse post.

Para finalizar a parte das histórias, só quero comentar um pequeno detalhe sobre “A escalada Milionária” e, pra isso precisarei comentar o final dela então estejam avisados.

O fato é que  após uma série de disputas com o Tio Patinhas no final descobrimos que tudo não passou de um sonho do Donald. O que o fez acordar foi o fato do Patinhas convidar o Sobrinho pra tomar um Refrigerante. Segundo ele, o Tio se oferecer pra pagar alguma coisa só podia ser sonho. Se isso fosse verdade, o Pato deveria ter acordado lá no começo da história onde o Tio Patinhas pega um Tônico de Mil Patacas a Gota e vira a garrafa goela abaixo. Mas enfim. Era apenas um detalhe que me chamou a atenção.

Sequência alternativa de abertura de “A Noite das Bruxas”

Além da publicação da história o mais próximo possível de quando ela foi publicada a primeira vez, um dos grandes destaques dessa(E também da Obras Completas de Carl Barks lançada anos atrás) Coleção são os textos que são escritos por especialistas, estudiosos e pesquisadores da Obra do Barks. Eles  expandem a experiência da leitura pois volta e meia trazem curiosidades que fazem a leitura ir além de apenas uma história divertida. Entretanto, de todos os volumes publicados até aqui, achei esses os mais fracos. Em especial ao relativo a história “A arma hipnótica“. Joseph Cowles nada mais fez que um resumo(Bem meia boca) da história.  E isso logo depois de eu ter elogiado tanto os Textos do primeiro volume da Biblioteca Don Rosa. Mas enfim. Não dá pra ganhar todas.

Pato Donald: A Noite das Bruxas mantém o alto nível da Coleção e vale cada Pataca gasta.