Pato Donald: Natal Nas Montanhas

Antes do Ano acabar é tempo de mais um post da Coleção Carl Barks aqui no Clarim. E já que hoje é Dia 25 de Janeiro, nada mais justo que falar dessa edição e que traz, inclusive a primeira aparição do Tio Patinhas.

Antes de começar é importante dizer que Natal Nas Montanhas é, cronologicamente o volume mais antigo já lançado: O 5º. Ele vem imediatamente anterior ao “O Segredo do Castelo“. Nele temos histórias que vão de Maio a Dezembro de 1947 (Veja o índice das histórias aqui.). Então, se você está lendo essas histórias pela primeira vez nessa coleção, tenha em mente que os personagens podem não agir como eles estavam acostumados em histórias futuras pois ainda estão em desenvolvimento. Um exemplo disso é o próprio Tio Patinhas.

Nessa história de estreia, o Pato Pão-Duro apresentado aqui em nada lembra o personagem que depois vai ficar famoso.

Na história o Patinhas presenteia o Donald com uma noite em seu Xalé nas Montanhas durante o Natal. Mas o que ele quer mesmo é se divertir assustando o pobre Sobrinho que vai, sem querer querendo, se mostrar mais valente que o Tio imaginava.

E era isso: Aqui ele é usado apenas como um coadjuvante para dar mote pro roteiro acontecer. Se ele não tivesse feito o sucesso que fez, quase certeza que iria ficar apenas nessa edição e ninguém nem lembraria dele. O que, diga-se de passagem, seria uma grande perda para as histórias em quadrinhos.

Uma coisa interessante de se perceber na obra do Barks é que volta e meia ele sempre incluía detalhes nos cenários que tornava a leitura mais interessante. Seja um detalhe de algum personagem ao fundo fazendo alguma coisa(Vide as histórias do Pardal que tinham sempre uma segunda história se desenrolando com o Lampadinha) seja placas engraçadinhas ou , as minhas preferidas: Os quadros nas paredes das casas dos patos. Esse volume mesmo está cheio deles em várias histórias. Exemplo do quadro entulhado de patos do quadrinho acima retirado da história “O Rei da Valsa“. E se prestar atenção tem de tudo: Bois desmaiados, patos nadando e se afogando,Patos tristonhos…

Mas isso não para somente com os quadros: Temos algumas dessas “Arte modernas” também em esculturas, Abajures, aquários e afins. Dêem uma olhada no quadrinho do Tio Patinhas ali em cima. Além do Pato arremessador de Disco que será visto em outro momento na edição, temos a “arte” no Abajur de uma cena que apesar de parecer ser a Margarida correndo atrás do Donald, se tornaria comum entre o Patinhas e o Sobrinho. Fiquem de olho nas histórias e vejam quantos detalhes pegam.

E falando em detalhes…

Em algum dos posts anteriores dessa coleção eu comentei que por mais que eu já tenha lido e relido algumas dessas histórias Zilhões de vezes, sempre há aquele detalhe que passa batido e que é preciso outra pessoa pra lhe chamar atenção: No texto referente à história: “O Mapa do Tesouro“, o crítico Donald Ault comenta sobre o Homem dos Patos brincar com o Lay-Out dos quadrinhos pra contar a história. No caso a sequência acima onde temos o que ele chama de Dois Eixos: O do realismo e o da comédia que se cruzam exatamente no alvo do centro da sequência toda (Veja os quadrinhos originais aqui.)

Eu particularmente acho esses detalhes muito interessantes e engrandecem a leitura. Você acaba, inconscientemente prestando atenção nessas minúcias e vendo como o Barks era realmente um gênio na arte de contar uma história.

Se tem um Profissional que o Barks retratou tanto quanto os Carteiros em sua obra são os Bombeiros. Existem várias histórias mostrando o Donald almejando/atrapalhando esses profissionais. Minha preferida, por ironia é “O Incendiário” em que o Donald está “contra” os Bombeiros. Ela foi publicada um ano antes de “Ser Bombeiro é Fogo” presente nesse volume mas que só dará as caras na coleção quando o Volume 4 for lançado.

Sobre Ser Bombeiro é Fogo, o que mais me chamou a atenção foi que pegaram um quadrinho (Acima) dessa história e recauchutaram para transformar em uma capa. A Editora Abril a utilizou na primeira edição de Pato Donald Extra de 2009. Detalhe: Ser Bombeiro é Fogo Não faz parte da edição.

E agora vamos àquela história em que há mais a se comentar, começando com uma curiosidade dupla: No segundo volume da Biblioteca Don Rosa: De volta a Quadradópolis, o autor comenta sobre a época em que trabalhou nos roteiros de Tale Spin(No Brasil: Esquadrilha Parafuso) e que aproveitou um trecho de um episódio para homenagear a passagem de uma história do Barks onde os personagens espantam um polvo gigante com auxílio de pimenta. Essa cena faz parte de “O Fantasma da Caverna” presente nessa edição. Eu não comentei sobre isso no post da edição do Don Rosa pois preferi deixar pra fazer aqui Mentira. Eu esqueci mesmo. Vejam a página com a comparação das cenas aqui.

O Fantasma da Caverna  faz parte da época em que o Donald tinha histórias longas de aventuras. Depois o Tio Patinhas acabou tomando esse espaço e o Pato acabou ficando mais nas histórias de 10 páginas além de acompanhar o Tio, é lógico.

Vale citar também que a história é, até onde uma história infantil permite, bem séria pois trata de sequestros de Crianças e um antagonista realmente ameaçador e até certo ponto,com uma história verossímil. Particularmente  não gosto da resolução final e destino do personagem. Acredito que ele aceitou tudo muito fácil. Mas até aí, nada que estrague a história.

Após se aposentar, Barks fez dezenas de pinturas a óleo baseada em suas histórias. Uma das minhas preferidas vem exatamente do Fantasma da Caverna. Retratando o quadrinho acima, Em uma só imagem ele conseguiu passar todo o clima ameaçador da história, a periculosidade do “Fantasma”. Confiram aqui.

Antes de finalizar um último detalhe: Há alguns anos comentei sobre uma história dos Simpsons que homenageava Carl Barks . Pois a capa daquela edição parodiava exatamente a capa original  de O Fantasma da Caverna como podem ver abaixo.

E falando em capas originais, Esse volume não traz as capas originais na sessão dos textos. O que é uma pena.

E com isso chegamos ao fim de mais um volume da Coleção Definitiva Carl Barks. Em 2018 a coleção irá se alternar mensalmente com a do Don Rosa além de começarmos a ter os volumes dedicados ao Tio Patinhas. Até lá.