Pato Donald: O Papagaio Contador.

Chegamos á Quinta edição da coleção definitiva do Barks, aquela que está sendo minha leitura mais prazerosa atualmente e o post que mais gosto de fazer. Mas sem mais delongas, vamos comentar um pouco sobre “O Papagaio Contador“.

Este Volume traz histórias publicadas entre  Maio e Novembro de 1950 além da “Papagaio Falador” de uma página e que é de Novembro de 1951 mas está jogada aleatoriamente nesse volume. Também vale comentar que este volume tem as, salvo engano, primeiras histórias dessa coleção que não são totalmente produzidas pelo Barks. A própria Papagaio Falador (Não confundir com a história que dá nome ao volume… sim. é muito Papagaio! Só faltou um certo Carioca) tem apenas o roteiro do Barks.  E Tanto  “Três Patinhos na Lagoa” como “Supervisor de Acampamento” possuem apenas a arte do Barks. Clique aqui para o índice completo da edição.

Mas agora vamos para os comentários das histórias:

 

Um dos assuntos mais recorrentes nas histórias do Barks são as mascotes. A lista de animaizinhos que já passaram pelas páginas da obra vão desde cachorros, formigas até mais exóticos como Jacarés, Esquilos, Lemingues e…Papagaios. Normalmente as histórias envolvem os meninos arranjando algum animal de estimação e causando muitos problemas para o Donald. Em “O Papagaio Contador” a vítima da vez é o Tio Patinhas que recebe o Louro de presente e acaba com sua fortuna ameaçada por causa disso. O roteiro é basicamente o mesmo da história “O Lemingue e a correntinha”, história  a ser publicada em 1954 e que ganhou até uma versão animada na série Ducktales.

Vale citar também que na história, a fortuna do Tio Patinhas é roubada por bandidos aleatórios. Esse papel normalmente caberia aos Metralhas mas como a família de Beagles só teria sua primeira aparição no ano seguinte (E próxima edição dessa coleção) Barks utilizou esses genéricos, e talvez protótipos, no lugar.

Os Metralhas genéricos

Normalmente nas histórias Disney, os personagens são todos animais antropomórficos e quando querem demonstrar algum personagem genérico, optam por cachorros. Barks e alguns outros autores entretanto ás vezes optavam por colocar os Patos interagindo com pessoas “de verdade”. É o caso de “Pérsia Antiga” onde o antagonista da história é um humano mau encarado. Lembro que a primeira vez que me dei conta desse detalhe foi numa história que será publicada na próxima edição,então deixarei pra fazer as considerações lá.

O fatos do povo antigo que aparece no decorrer da história serem canídeos, exemplifica esses animais serem usados genericamente.


Tempo de Férias” é grandiosa em todos os sentidos: Tem 32 páginas, vários cenários maravilhosos, em especial os que mostram a Floresta onde os Patos vão acampar e já na página de abertura temos um vislumbre do que vamos encontrar: Normalmente as histórias começam com quadrinhos pequenos, ou no máximo com um de meia página. Aqui Barks utiliza toda a página de abertura da história pra já nos jogar na “ação” durante a viagem dos patos. A ilustração está na capa desse volume mas  você pode conferir completa aqui, é tão marcante que Barks a transformou numa pintura quando passou a se dedicar a elas no fim da carreira.


Um fato sobre “Tempo de Férias” é que, apesar de ter sido escrita em 1950, ela ainda se mostra bem atual: Quando os meninos reclamam que o Donald não está curtindo as férias se preocupando mais em tirar fotos por aí, é bem o que acontece hoje após a explosão do número de celulares com câmera. Muitos quando viajam se preocupam mais em tirar foto do que de fato curtir o lugar onde estão. E olha que em 1950 pra tirar uma foto era uma briga pois tinha de tirar a foto, revelar etc,etc,etc e muitos etc.


Como cometei no início, “Três patinhos na Lagoa” conta apenas com a arte do Barks e a razão disso é que a história nada mais é do que um compilado de várias situações previamente utilizadas em outras histórias apenas adaptadas pra história que mostra os Patinhos indo passar as férias no Sítio da Vovó Donalda. Uma delas entretanto vale a menção por ser a adaptação da primeira aparição da Vovó Donalda, ocorrida em uma tira de jornal em 1943(Imagem acima). A piada de Bob Karp e Al Taliaferro, aqui foi adaptada com o Gansolino fazendo as vezes do Donald (Imagem abaixo).


Certa vez Barks mencionou que se arrependia de ter tratado a Moedinha Número um do Tio Patinhas como um amuleto e símbolo da fortuna do pato velho, porque passava a impressão de que o Patinhas fez sua fortuna graças à sorte e não do esforço físico. Ele de fato só vai tratar do misticismo da Moeda a partir de 1961 quando da aparição da Maga Patalógika. Mas é curioso notar que em “Meu Reino por uma ampulheta” ele já começa a brincar com o misticismo/sorte ao atribuir a uma ampulheta, a razão do Patinhas ter ficado rico. O que causa toda uma série de situações para o Donald e os sobrinhos.


Ainda sobre “Meu Reino por uma Ampulheta”, chama a atenção da semelhança da imagem de abertura da história (Imagem acima) com a imagem de abertura de “Essa é sua vida, Donald“(Imagem abaixo) história de 1984 onde Marco Rota, um dos grandes Mestres Disney Italianos dá a sua versão para o nascimento do Donald.  Não sei se houve uma referência ou apenas uma baita coincidência (O que duvido) mas vale o registro.

Em tempo, aqui também vemos os Patos interagirem com personagens humanos.

E com isso encerramos outra bela edição dessa Coleção que eu não canso de elogiar. Que venha agora “O Vil metal e os vilões”

Pato Donald: O Papagaio Contador tem 210 páginas com o preço de sempre: 60 Patacas. Mas como sempre indico: Dá pra pegar até pela metade disso em promoções online por aí.