Pato Donald: O Vil Metal E Os Vilões.

E chegamos àquele que tem sido meu momento favorito nos últimos tempos: O post sobre a mais nova edição da Coleção Definitiva do Carl Barks. E já estamos no Sexto volume.

Este é, cronologicamente, o Volume 10 da coleção e traz histórias publicadas entre Janeiro e Novembro de 1951 entre as histórias curtas da Walt Disney’s Comics And Stories e longas da Four Color Comics. O Índice delas você pode ver clicando aqui.

Antes de falar da história que dá título ao volume, quero começar por aquela que é a mais interessante e curiosa não só dessa edição como, talvez, de toda a carreira do Barks: O Agente Secreto. No volume anterior O Papagaio Contador quando falei da história Na pérsia antiga, atentei para o detalhe do Professor doidão daquela história ter feições humanas, algo não muito usual na obra do Barks e eis que em O Agente Secreto, à exceção do Donald, os Trigêmeos e o sósia do Donald no final da história, TODOS os outros personagens são humanos. Lembro que isso foi um fato que me chamou a atenção desde a primeira vez que li essa história em um Disney Especial(Óbvio que era “Os Agentes Secretos”) e na época eu nem fazia ideia de quem era o Barks devido à falta de créditos das histórias. Lembro até que o Pequeno Mac  fez relações com umas histórias do Mickey onde o Pateta e o Rato contracenavam com personagens humanos.

Outro fato que chama a atenção de imediato é que temos  um assassinato na história. E o mais impressionante é que o tal assassinato é cometido por um dos sobrinhos ao obrigar um dos vários Agentes secretos que aparecem ao longo da história a pular  de um trem em Movimento rumo à morte certa. Ok. Alguns podem até argumentar que o pobre infeliz caiu no rio e pode ter sobrevivido ou algo do tipo mas isso fica no campo da especulação. O Fato é que a intenção do Patinho era sim fazer o vilão se esborrachar trem afora.

E isso porque nem mencionei o Suicídio (com direito a “adeus Mundo Cruel” e tudo) do Agente Donaldo no final da história.

 

No volume anterior cheguei a comentar que os bandidos que aparecem na história do Papagaio Contador eram os “Metralhas Genéricos”. Mas ironia é que na história que traz a primeira aparição da famosa família de ladrões eles sejam… Bandidos Genéricos. Eles de fato só aparecem em um quadrinho de “O Vil Metal E Os Vilões“(O que está estampado na capa deste volume.) Acho que o Barks cansou de ficar usando Bandidos genéricos e resolveu adotar como fixo os últimos que haviam aparecido. Por sorte, os Metralhas.

Vale mencionar que os Metralhas não são os únicos a fazerem sua estreia nessa edição: Na história “Quem Salva O São Bernardo” temos a primeira aparição oficial dos Escoteiros Mirins. “Oficial” porque, assim como os Metralhas, já haviam versões protótipos da Organização Mirim tanto em desenhos animados como na própria obra pregressa do Barks.

A história “O Encantador de Serpentes” começa como várias outras histórias anteriores e posteriores do Barks: Com os sobrinhos tentando fazer o Donald encontrar um rumo na vida por se sentirem inferiorizados pelo fato dos Tios dos outros garotos terem trabalhos importantes. Esse início simples vai levá-los ao encontro com uma gigantesca serpente marinha  que, diferente da presente em “O Terror do rio(1946)”, é pra lá de real. Vale citar uma curiosidade de bastidor: A página em que a Serpente aparece a primeira vez (Imagem acima) foi produzida utilizando duas pranchas(O nome dado à folha original que vai dar origem a uma página) Elas são são do tamanho maior que uma página comum e o Barks as posicionou horizontalmente, dando muito mais detalhismo à cena. Segundo o texto contido na edição do Melhor da Disney onde essa história foi publicada anteriormente, é possível ver a junção das páginas no dente da Serpente. Deem uma olhada.


Na velha Califórnia” é a história preferida do Barks. Talvez por se passar onde o Homem dos Patos cresceu. Eu particularmente acho uma das mais fracas mas gostaria de comentar dois detalhes:

O primeiro é que é de conhecimento geral que o Barks usava muitas ilustrações de lugares reais para compor o cenário de suas histórias. Na imagem acima, retirado do Livro “Carl Barks e os Quadrinhos Disney”(Aliás, podem ver um vídeo sobre o livro no Calisota, meu canal do Youtube sobre Quadrinhos Disney) temos um exemplo desse uso de imagens pra referências.

O segundo é uma coisa chata: Sempre defendi a Abril pelo fato de suas revistas terem poucos erros em comparação à Panini ou a Salvat, por exemplo onde erros são mais comuns que acertos. Nos últimos tempos entretanto têm aparecidos vários errinhos que podiam ser evitados. Nessa história em específico temos um deles cuja imagem podem ver abaixo.

Nas traduções anteriores eram comuns adaptarem termos para o vocabulário nacional da época em que a história foi publicada. Gírias e coisas do tipo. Anteriormente, o comentário do Zezinho foi alterado para fazer um trocadilho com o  Clint Eastwood.  Como nessa coleção atual querem traduzir os termos o mais próximo possível do original, mudaram a tal referência no primeiro quadrinho… Só esqueceram de fazer o mesmo no segundo e deixaram a pobre Panchita parecendo a Velha Surda. Ainda é coisa pouca. É difícil prestar atenção nesses detalhes aqui nos meus textos do Clarim imagine num lugar onde o volume de publicação é grande como na Abril. Mas espero que isso não se torne lugar padrão nas publicações como se tornou nas duas Editoras citadas anteriormente.

Que o Donald não é nenhum “anjo” isso todos sabemos. Muitas vezes inclusive ele que é o causador de seus próprios problemas.  Na minha tenra infância, há uma lembrança de eu ter ficado verdadeiramente com pena do Pato e foi na história “Lago do azar de Fevereiro“. Na história, o pobre Pato sofre de todos os males que pode se abater sobre um ser vivente apenas por querer curtir sua nova piscina. Me identifico com o personagem por não ir muito com a cara de Vizinhança, principalmente as com muitas crianças. Sei como se sente, Donald.

Como já comentei outras vezes, já li e reli as histórias do Barks incontáveis vezes. E sempre que leio novamente, pego uma visão diferente. Aqui foi graças aos textos do final do volume. O crítico Craig Fisher chama a atenção para  duas sequências da história “1º de Abril” onde o Barks, habilmente manipula os formatos dos quadrinhos para “guiar” a leitura de um quadrinho a outro a ponto de quase ignorar quadrinhos onde as informações não são muito importantes pra história (Imagem de uma dessas sequências abaixo).  Que o Barks gostava de brincar com o Layout das páginas não é novidade. Há histórias inclusive em que os Patos saem dos quadrinhos dando impressão de velocidade. Mas ainda assim é interessante notar essas sutilezas em histórias que você já leu várias vezes.

Antes de finalizar, uma menção rápida à história “Pega Ladrão” que só tem a arte do Barks mas chama a atenção por utilizar o Bafo de Onça como vilão. O personagem não é muito usual nas histórias dos Patos.

E chegamos ao fim de mais um ótimo volume da coleção Definitiva do Barks. A próxima edição “A noite das Bruxas” e será lançado em Outubro.

Pato Donald: O Vil Metal e os Vilões tem 230 páginas com preço de 60 Patacas. Mas como sempre aviso: Dá pra pegar até pela metade disso se ficar de olho em promoções da Amazon.