Pato Donald : Perdidos Nos Andes

perdidos

Há muito tempo que os leitores pedem o relançamento da Coleção de 41 volumes  O Melhor da Disney: As obras completas de Carl Barks que foi lançada entre 2004 e 2008 por aqui . Depois de prometerem e por diversas ocasiões sempre ressurgir em pautas o tal relançamento, finalmente a Editora Abril traz novamente toda a obra de Carl Barks ás livrarias e bancas.

Lost

Aproveitando o novo formato capa dura que vêm  lançando materiais Disney (Leia aqui sobre a edição Ducktales) a Editora Abril traz para o Brasil a coleção The Complete Carl Barks Disney Library Lançada nos EUA pela Fantagraphics.

O grande diferencial dessa coleção para as publicações mais recentes de histórias do Barks, incluindo a já citada OMD é se propor a trazer as histórias o mais próximo possível da publicação original (As histórias dessa edição em específico são do final da década de 40)  com lay out, letreiramento e coloração que remetem à época em que foram lançadas.

bolinhas

 

Apesar de ser lançada nos moldes da coleção capa dura Disney, podemos dizer que essas edições do Barks fazem parte de uma coleção à parte pois as únicas semelhanças com as outras, é que ambas são capa dura e têm o mesmo tamanho. Enquanto as edições Capa dura têm em  média 400 páginas, Perdidos nos Andes tem 230. O fato do “Volume” ser parecido se deve á diferença do tipo do papel usado: As edições Capa dura são publicadas em couché enquanto que Perdido nos Andes traz o Off white que é o mesmo usado para publicar livros o que dá um ar diferente á edição.

Assim como OMD, Perdidos nos Andes também traz textos explicativos e com curiosidades que aprofundam  e complementam a experiência da leitura.

Intro

 

Cada número da Coleção definitiva Carl Barks traz histórias em ordem cronológica de lançamento mas nas edições elas são organizadas por tipo: Primeiro as histórias longas, seguidas das histórias de 10 páginas e finalizando com as “piadas”; historinhas de apenas uma página cada.

Ainda sobre ordem cronológica, a coleção será lançada fora da ordem numérica, como a coleção Marvel Capa Preta da Salvat. Perdidos nos Andes é a edição 7.

Histórias 2

 

Mas vamos parar de falar de assuntos técnicos e coisas do tipo e vamos ao que interessa: As histórias. Dentre as várias, quero destacar algumas delas a começar pela que dá título ao volume.

Perdidos nos Andes nos leva, junto aos Patos(Nesse período o Tio Patinhas era um personagem recém criado e ainda não acompanhava os sobrinhos nas aventuras.) á Cidade de Quadradópolis onde, como o próprio nome deixa implícito, tudo é quadrado Parece até desenhado pelo John Romita Jr.  Perdidos nos Andes é umas das histórias mais clássicas e sempre lembrada em qualquer conversa de colecionadores e fãs. O roteiro dela é fluído sem “encher lingüiça”. Barks começou efetivamente sua carreira nos quadrinhos no início dos anos 40. Perdidos nos Andes é de 1948 e aqui o quadrinista estava em grande forma. Ainda considero  as histórias de aventuras de Uncle Scrooge seu auge e não a toa várias delas foram usadas como inspirações para episódios de Ducktales (Como você pode ler aqui) mas a “safra” de perdido nos Andes não é de se joga fora.

África

Ainda dentre as histórias longas,  destaco  “Donald na África”. Posso estar enganado mas acredito que a primeira vez que ouvi falar em Zumbi do tipo Haitiano (Não os mortos vivos devoradores de cérebros ) foi quando li essa história pela primeira vez há zilhões de anos atrás.

Aqui vale citar também que, várias das histórias de Barks sofreram alterações ao longo do tempo, seja pra adequar aos tempos modernos e corretos(Como diminuir os traços esteriotipados dos negros) ou apenas porque os originais estavam muito deteriorados ( Como foi no caso da “Primo, Você é que tem sorte” onde nessa edição resgataram a arte original do Barks e não precisaram usar a versão “remake” de Daan Jippes) . Como essa coleção visa trazer as histórias o mais próximo possível das originais (Sim. Já falei isso) aqui a arte está inalterada.

Censura

Acima a versão original do Barks presente nessa edição. Abaixo a versão alterada que era frequentemente usada nas republicações (Essa da imagem é do volume 11 de O melhor da Disney)

Das histórias curtas quero comentar duas delas: “Molecagens imediatas de primeiro grau”. Dentre as histórias que trazem o tema “Donald X Sobrinhos” é uma de minhas preferidas. Já “Quem nasceu pra tostão” é a clássica história que mostra Donald e os Meninos resgatando um navio afundado com o auxílio de bolinhas de pingue pongue. Método esse que foi  testado e comprovado pelos Mythbusters (Comentei sobre o caso AQUI). Vale também citar a curiosidade de que a capa da edição 104  da revista Walt Disney Comics and Stories(Imagem abaixo), que traz a história das bolinhas faz alusão à história “Molecagens…” que foi publicada na edição 100. Porque não foi aproveitada lá, não faço ideia.

molecagens

Como ponto negativo, deixo as histórias de tema natalino. E não! Dessa vez não é só pelo meu pouco (Pra não dizer nenhum) apreço pelo tema. O caso é que “A árvore de Natal dourada”, “Na terra dos brinquedos”  e as histórias de uma página; “O mico de Natal”, “O teste definitivo” e “Feliz Natal” foram publicadas em Dezembro na também edição Capa dura “Contos de Natal por Carl Barks”. Muito pouco tempo entre as publicações. Se eu soubesse na época que essa coleção nova ia sair, nem tinha me dado ao trabalho de comprar a edição Natalina. Mas enfim. Não diminui a qualidade de Perdidos nos Andes.

curtas

Finalizando, A Editora Abril está de parabéns pela qualidade  de “Perdidos nos Andes” e que venham as próximas edições (Há 11 volumes lançados nos Estados Unidos até agora e a próxima edição nacional será lançada em Outubro). Eu já tenho quase toda “O melhor da Disney” mas com certeza comprarei essas novas edições afinal, Barks nunca é demais.

Piadas
Pato Donald :  Perdidos nos Andes tem 230 páginas e custa 60 Patacas (Mas, como sempre dá pra pegar mais barato em promoções de lojas online).

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