Supercrooks: O Assalto. De Mark Millar E Leinil Yu

Supercrooks: O Assalto, a  minissérie escrita por Mark  Millar e desenhada pelo Leinil Yu chega ao Brasil pela Panini comics.

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Imagine que você é um Supervilão. Daquele tipo que só vive apanhando de algum Herói aleatório e vive entrando e saindo da Cadeia. Sem contar a “concorrência” de outros Super poderosos malignos. Um dia enche o saco, não é mesmo? Então qual a coisa mais esperta a se fazer além de se regenerar? Oras: Ir pra um País onde não existam 406970 Super caras por metro quadrado!

Pois é exatamente isso que Johnny Bolt resolve fazer: Já começando a sentir o peso da idade (Maior parte dela, gasta atrás das grades) ele resolve dar o derradeiro golpe: Ir para a Espanha e roubar o maior, mais famoso, e agora aposentado, Supervilão da História. Como a tarefa não é das mais fáceis, muito pelo contrário, ele decide reunir um grupo de Vilões para fazer o plano dar certo.

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SuperCrooks faz parte do que ficou conhecido como “Millarverso(Ou Millarworld)” não por necessariamente se passarem no mesmo Universo mas por serem escritas pelo badalado Mark Millar. Publicadas pelo Selo “Icon” da Marvel onde os autores podem fazer séries mais…autorias e não ficar presos ao engessado e eterno Looping dos quadrinhos de Super-Heróis.

E devo começar dizendo que tenho algumas ressalvas quanto aos roteiros do Millar. Em especial o fato de, nem sempre ele terminar as histórias de forma satisfatória. Vide Kick Ass 3 ou o Nêmesis (apesar de Nêmesis não fazer sentido algum desde o começo). entram também casos onde as histórias são bem meia boca como o Serviço Secreto Cujo Kingsman, a adaptação pra cinema dá de 10 Zilhões a Zero nos quadrinhos.

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Outro ponto que me deixou meio com o pé atrás foi a arte do Yu. Particularmente o traço do artista não me apetece nem um pouco. Das histórias que havia lido dele na Marvel havia achado tudo meio …estranho. Ele entra na categoria do finado Steve Dillon: Não é um mal desenhista, mas os rostos dos personagens me incomodam bastante. Parece que tá todo mundo gripado.

Então peguei pra ler já preparado pro que vinha pela frente… Mas não é que é legal?

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Como já vi por aí, a melhor forma de descrever Supercrooks é “11 Homens e um segredo com super poderes” mas isso não é demérito. Pelo contrário: O roteiro é redondinho. Tem as viradas no tempo certo e até o final que, não só é bom como é nele que tem a melhor sacada da história toda.

Os personagens são todos genéricos e nenhum marca. Eles têm até um Dr. Octopus genérico para verem o nível da criatividade… Felizmente o roteiro se garante suficientemente bem.

Além disso a história tem um bom ritmo. Não tem aquela enrolação além da conta: Sempre está acontecendo alguma coisa e não há tempo de cansar. Tanto que li de uma vez só.

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A arte do Yu também está bem agradável. Diferente dos já citados trabalhos anteriores do artista, não me senti incomodado dessa vez. Não sei se foi porque estava gostando da história que não liguei pra “gripe” dos personagens mas o fato é que gostei bastante dos desenhos.

Uma das características das obras do Millar é a violência explícita. Em Supercrook ela está presente mas não é nada exagerado ou sem sentido prático como em Nêmesis onde a violência é só pra dizer: “Olha só que legal: Sangue!”. Em Supercrook, toda a violência utilizada está lá por algum motivo: Seja pra mostrar a fodacidade periculosidade do Vilão, pra contar um detalhe da história ou pra criar uma sequência de Humor Negro com os Vilões regeneradores.

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Já tem um bom tempo que se especula uma adaptação para Cinema o que faz sentido já que o Millar não esconde que costuma pensar em suas histórias para que elas já saiam prontas pras telas do Cinema (Mesmo que algumas vezes, como no caso de Kingsman, só mantenham a idéia principal e mudem tudo). No caso de Supercrooks  ele realmente daria um bom filme de assalto. Tem tudo que eu quero num filme: Roteiro honesto, ação, reviravoltas… Quando finalmente lançarem, eu assistirei com certeza.

O ponto negativo não é bem ligado à história mas sim á edição nacional: 56 Patacas por uma revista de 132 páginas é “um pouco” demais. Não tem Capa Dura ou qualidade de papel que justifique esse preço. Principalmente quando a própria Panini lança vários encadernados no mesmo estilo por menos da metade desse preço.  Bola fora. Esta, mais que nunca vale a dica de esperar uma promoção da Amazon.

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