Um Estranho Doutor.

Doutor Estranho chega aos cinemas com a Missão de não só expandir o conceito do  Universo Cinematográfico da Marvel como apresentar um novo personagem ao público geral.

 CONTÉM ALGUNS SPOILERS

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Ao Infinito, e além!

Nos quadrinhos o Universo Marvel é vasto. São infinitas realidades, universos e conceitos que foram sendo criados e explorados ao longo dos anos. A atual(Pelo menos no Brasil) e chata pra burro Megassaga semanal da Editora,Guerras Secretas inclusive tem as múltiplas realidades como mote pro seu arremedo de plot. Nos Cinemas entretanto,àsportas de completar uma década,  e apesar de ter os nove reinos da mitologia do Thor, ainda era essencialmente urbano.

As coisas começaram a mudar com Guardiões da Galáxia que nos levou pro Cosmo e com Homem-Formiga onde tivemos um breve vislumbre do Universo Subatômico. Nos Seriados,  em Agente Carter, tivemos a Matéria Negra sendo apresentada na Segunda Temporada.  Já no começo dessa quarta temporada, a série da S.H.I.E.L.D  começou a mexer com demônios, Fantasmas, Magia Negra e recentemente  com os boatos de que Mefisto poderá estar envolvido na trama de Defensores ano que vem a Marvel  aos poucos começa a introduzir o misticismo em seu MCU. Mas tudo isso ainda era um pouco sutil. Tudo bem que um cara que fez pacto com o Capeta e que anda por aí com um crânio flamejante não é algo que se diga: Minha nossa, que sutil… Mas Doutor Estranho chega chutando a porta e escancarando todo um Multiverso.

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Estranha origem

Um dos maiores méritos do Marvel Studios é conseguir apresentar seus personagens, mesmo aqueles mais desconhecidos do grande público de uma forma que não é necessário ter lido zilhões de edições nem ser um profundo conhecedor dos quadrinhos para curtir. Foi assim com Homem de Ferro(Desculpem mas,até o filme, o personagem sempre foi “Série B” nos quadrinhos.) Guardiões da Galáxia, Homem-Formiga e, agora, com o Doutor Estranho.

Acompanhamos toda a jornada de Stephen Strange, seu acidente de carro, e sua ascenção nas artes místicas.

O filme consegue apresentar o personagem ao mesmo tempo que introduz o, já citado, conceito dos multiverso e ainda arranja tempo pra tocar em assuntos como mortalidade ou, o quanto você estaria disposto a sacrificar pela sonhada vida eterna?

drstrange 2Dá uma mãozinha aí.

Doutor Estranho é, até agora o filme mais pesado graficamente falando do MCU.  Já em sua primeira cena, nos apresenta uma decapitação. Ok, Só vemos a silhueta do ato mas ainda assim, é uma coisa que não estamos acostumados a ver nos filmes do estúdio (Nada perto do Rei do Crime esmagando a cabeça de um infeliz com a porta de um carro mas aí são os seriados do Netflix). Não sei o que é mais angustiante: A cena do acidente de carro onde vemos as mãos dele sendo esmagadas ou o pós operatório onde elas estão cheias de pinos. Me deu até “calos frios”.

Sim. Temos piadas. mas elas são são exageradas e são colocadas em pontos estratégicos pra quebrar uma tensão aqui ou ali. Eu particularmente não tenho nada contra afinal, não são piadas ou falta delas nem desligar a iluminação das câmeras que fazem um filme ser mais ou menos sério e “adulto” por causa disso.

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Visual que enche os olhos (de Agamotto)

Quem tiver a oportunidade de assistir em Imax, 3D o faça porque vale a pena. “Mas Mac. Você nunca gostou de filmes 3D. Mudou de idéia ou está sob algum feitiço?” Não, Jovem aspirante a Mago Supremo. Meu problema com o 3D é que normalmente essa técnica só é usada pra encarecer (o já inflado) preço do ingresso e só pra dar uma dispensável sensação de profundidade. Doutor Estranho foi o primeiro filme em que vi realmente o 3D ser usado como tem de ser: Além da profundidade, as coisas saltam na tela. Tanto nas cenas de batalha como nas “viagens” psicodélicas(Já volto à esse ponto) . Tudo é muito bem feito. E ver tudo isso na tela gigante do Imax aprimora ainda mais a experiência.

E já que o assunto são os efeitos vale citar que eles estão impecáveis. As histórias do Dr. Estranho, principalmente as do Steve Ditko dos anos 60 eram caracterizadas pela psicodelia pura. Era tanta cor,Tanta viagem que você só pode imaginar o que aquele povo tomava pra escrever/desenhar. E todo esse clima foi transportado com maestria pro filme.  Infelizmente essa parte é relativamente curta no filme e o que mais vemos é, como os trailers já mostraram, a Cidade dobrando. Aliás sobre isso, é inegável que se inspiraram no “A origem” para esse efeito mas aqui é mais viajado pois não só as ruas viram , sobem, descem mas como cada prédio mexe, retorce, gira, dá pirueta… Chega até a deixar tonto(Mais do que eu já sou).

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Tempo é relativo

O filme trabalha em  como lidamos com o tempo. E se alguém ainda lembra de alguns textos antigos meus aqui no blog mencionei que um dos fatores que uso pra saber se um filme é bom ou não é se eu vejo o tempo passar. Dr. Estranho tem por volta de duas horas mas parece que são 30 minutos de tão imerso no filme que fiquei. Tudo tem seu momento e não se prolongam em coisas desnecessárias só pra encher linguiça (Aprende, Netflix).

Não fica muito claro quanto tempo passa do começo ao fim do filme mas podemos supor que são alguns anos afinal ninguém vira mestre nas artes místicas de um dia pro outro. E até o período de treinamento do Strange é mostrada de forma fluída.

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Mas será o Benedito?

Um dos maiores acertos da Marvel foi a escalação do Benedict Cumberbatch para viver o personagem principal. Ele é a personificação do Stephen Strange. Além de ser um excelente ator. Você vê a mudança dele do Médico convencido e prepotente do início do filme para a versão final do Dr. Estranho.

Houve a já tradicional e até esperada reclamação dos fãs dos quadrinhos quando da escalação da Tilda Swinton para o papel da anciã. Tudo porque nos gibizinhus quadrinhos, o personagem é um velho asiático ou seja; o típico velho sábio oriental. Mas a mudança não influenciou em nada e a atriz manda muito bem.

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Já sobre o vilão o que falar?  Infelizmente o maior problema dos filmes do Marvel Studios pra mim é o fato dos vilões serem em geral, bem meia boca. E o Kaecilius cai nessa mesma categoria: Ele é aquele clichê do aprendiz que acaba indo pro Lado Negro e quer trazer um mal ancestral à Terra e blábláblá. Mas infelizmente é mal trabalhado e tudo que faz é ficar correndo e soltando magia de um lado pro outro. E ressaltando que não é culpa do Mads Mikkelsen. Ele faz o que pode  mas é difícil quando se tem o que? Umas seis frases  quase relevantes no filme todo.

Até a batalha final, é “Marromêno”…  e isso pra ser gentil. As coisas se resolvem rápido e não há a sensação de urgência e perigo que a situação pediria.

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Eu entendi essa referência.

Não sou do tipo que exige que uma adaptação seja 100% aos quadrinhos mas adoro quando fazem uma citação ou referência que remete a algum personagem ou objeto. E isso é uma das coisas que os filmes da Marvel fazem muito bem. Com Doutor Estranho não é diferente. Não se preocupe se você não conhece nada dos quadrinhos. Dá pra ver o filme sem se preocupar com isso mas para os desocupados iniciados na ancestral arte mística de ler quadrinhos há algumas menções a personagens (Uma que me fez pular da cadeira) aparições de outros por apenas uns micro segundos etc. Dá pra perder um tempo até identificar todas (Ou esperar que alguém encontre e poste na internet).

Doutor Estranho não é perfeito tampouco é o melhor da Marvel mas pelo que representa e possibilidades a serem exploradas no futuro posso dizer que ele cumpre seu papel com êxito.

  • zoeirinho da internê

    Boa crítica 🙂