Y: O Último Homem

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Muitos, ou talvez, a grande maioria dos Homens iria adorar ser o último homem da Terra. Imagine as “possibilidades”…Porém conforme vemos em Y: O último Homem, HQ publicada pela DC Comics no selo Vertigo (O selo onde saem as histórias boas da DC) essa situação talvez não fosse tão vantajosa assim.

Subitamente todos os seres com cromossomo Y (Daí o nome da série), responsável por determinar o sexo masculino nos embriões morrem… exceto o jovem Yorick Brown e seu Macaco Ampersand. Mas porque? O que causou a extinção dos homens? Porque só os dois sobreviveram. O que tem de janta hoje? Algumas dessas perguntas serão (ou não) respondidas ao lingo da série.

Ele se junta à Agente 355 e à Geneticista Dra. Mann para, a princípio, cruzar o País até o laboratório da Doutora onde ela poderia fazer uns testes pra ver se conseguia isolar o que quer que tenha feito Yorick sobreviver e assim, quem sabe, poder trabalhar numa forma de evitar que a raça humana seja extinta. Sabe como é…sem reprodução, o futuro não é muito promissor.

Ao longo de 60 edições publicadas originalmente de 2002 a 2008,  acompanhamos a jornada de Yorick e suas duas companheiras não só ao redor dos EUA como a aventura se estende pelo Mundo já que Yorick pretende encontrar sua namorada Beth que, no momento da morte dos homens, estava na Austrália e ele decide ir pra lá tb. E no meio dessa jornada tem de tudo: De Amazonas a Ninjas… Passando por Piratas e presidiárias…

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Escrita pro Brian K. Vaughan e ilustrada por Pia Guerra , a série tem um ótimo ritmo. Não cansa e não tem a popular “Encheção de linguiça” . Quase nada é enrolação por enrolação e o que é mostrado, terá um mínimo de relevância no futuro da série. Diferente , por exemplo, de Preacher que foi outra série que li recentemente e que lá pela metade enrola mais que fone de ouvido na gaveta.

Os personagens também são um show à parte : Tanto o Trio principal (Ou deveria dizer, quarteto já que o Ampersand é o melhor personagem) quanto os coadjuvantes são bem escritos e desenvolvidos (Na medida do possível em relação aos coadjuvantes)  e acabamos nos importando com quase todos.

Falando em personagens, aqui há algo que raramente (pra não dizer nunca) vemos em quadrinhos de Super-Heróis: Os personagens evoluem em longo da história e não é nada forçado tipo troca de cérebros,  ser agente infiltrado desde o começo ou outra babaquice do tipo. O Yorick por exemplo que começa a série como um adolescente Loser acaba se dando conta de seu papel no futuro da humanidade…Mas ainda continua Loser.

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Outro ponto a se levantar sobre o roteiro é o fato de como o Vaughan lida com o fato da sociedade em que vivemos ser patriarcal e as mulheres não terem chance em algumas profissões.  O que causa problemas nesse novo Mundo pois elas terão de aprender muita coisa, como se diz,  “na raça”. Ao final da primeira edição, somos apresentados a algumas estatísticas do Mundo real (Na época de 2002, hoje já pode ter mudado) onde algumas serão aproveitadas e utilizadas ao longo da história. Leia aqui.

E voltando ao que mencionei lá no começo, ser o último homem vivo não é tão legal como muitos pensam: Apesar de ter mulheres que só querem viver e acabam dando um jeito de se adequar à nova vida, há aquelas que só querem ver o circo pegar fogo: Como as chamadas Filhas das Amazonas; Feministas extremas que adoraram que todos os homens “inimigos, opressores e coisas do tipo” foram pro espaço. Pra elas foi um presente divino e estão dispostas a tudo pra que continue assim. Também temos o Exército de Israel que ao ficar sabendo sobre o Yorick, planeja capturá-lo,  para que as Israelenses repovoem o Mundo (sim. O Yorick teria muito “Trabalho” a fazer) e falar mais que isso seria Spoiler.

E também há o fato do Yorick ser fiel (Até onde é humanamente possível) à sua namorada durante os quase 5 anos em que a história se passa. Então nem a parte “boa” de ser o único Homem em um mundo cheio de mulheres  é aproveitada.

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 História em quadrinhos é a junção de duas coisas: Roteiro e desenho (Não! Sério?). Uma arte meia boca ou ruim pode comprometer toda uma experiência de uma leitura. Assim como não adianta uma arte bacana se o roteiro for uma droga. Fico feliz em dizer que Y é o casamento perfeito desses dois fatores: Os desenhos da Pia Guerra estão entre os melhores de uma história em quadrinhos que li nos últimos tempos. É um traço limpo, competente e que não cansa. Talvez pelo fato dela ser uma mulher, não há aquela hipersexualização do corpo feminino que é comum nos quadrinhos de super-heróis, por exemplo: As mulheres da histórias são bonitas mas são “normais” e não fugitivas de clínicas de silicones.

Como negativo, deixo registrado que alguns pontos lá pro final da história me incomodaram um pouco.  Nada que arruíne a história, muito longe disso mas dava pra ser feito diferente.

E algo que não chega a ser negativo mas durante a história tem algumas passagem que me deixaram triste Uma em especial me fez derrubar umas gotas de suor pelos olhos.

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Muito se fala sobre uma adaptação de Y mas até agora nada concreto foi confirmado. Eu particularmente prefiro um seriado pois em um filme, as coisas iam ficar muito corridas. Mas a falta de algo oficial não impede os fãs de botarem a mão na massa como é o caso do fanfilm : Y: The last Man Rising lançado em 2012 e adapta o começo da história. Particularmente achei muito bem feito. Confiram abaixo.


Finalizando, Y: O último Homem foi uma das melhores surpresas que tive nessa minha fase de desintoxicação Super-Heróica e se tornou uma de minhas séries preferidas.

A Panini lançou Y por aqui em Dez encadernados e atualmente está lançando as edições de luxo capa dura. Já foram 2 e faltam 3. Vale a pena correr atrás.

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